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Pela Democratização das Audiências do Transporte Público

CDH e entidades que formam a Frente de Luta pelo Transporte Público protocolam ofício na Promotoria de Cidadania e Direitos Humanos (15ª PJ-MP/SC) e também no Gabinete do Prefeito Carlito Merss.

O ato representa o pedido formal feito pela Frente, que representa diversos grupos e categorias de pessoas da cidade, pela democratização das audiências públicas que debaterão o modelo de transporte coletivo de Joinville.

Um breve histórico da situação:

Há anos uma das constantes reivindicações do CDH e de outras entidades organizadas como o Movimento Passe Livre (MPL), é de abertura de uma licitação para a concessão do direito de prestação do serviço de transporte coletivo na cidade, uma vez que as empresas que hoje exercem este direito, não o detêm legalmente – já que para isso a licitação se faz necessária.

Diante do péssimo serviço prestado pelas empresas, das altíssimas tarifas e aumentos sucessivos, outras entidades e pessoas começaram a se somar nas reivindicações, chegando ao momento atual.

Hoje, nossa luta não é apenas pela licitação, porém e antes, lutamos pela democratização da discussão sobre a mobilidade urbana de Joinville. Isto é, queremos que o Poder Público abra um canal direto de comunicação com a sociedade por meio de diversas audiências públicas descentralizadas (nos bairros) promovendo assim um diagnóstico do atual modelo e uma avaliação sobre o que pensa e quais as sugestões da população. Mais importante neste processo, entendemos como possível o estudo de implantação de uma empresa pública de transporte coletivo, que viria a acabar com a exploraçaõ deste serviço por empresários que o utilizam sob a lógica do lucro.

Abaixo, segue na íntegra o conteúdo do ofício:

 

Para Comissão de Estruturação da Licitação do Transporte Coletivo Urbano de Joinville
Prezados Senhores,
Dirigimo-nos a essa Comissão a fim de solicitar atenção para aspectos do processo de construção da licitação para o transporte coletivo urbano e o debate sobre o novo modelo de gestão que iniciou a partir da audiência pública do dia 30, último.
Ocorre que a referida atividade, realizada sob a coordenação dessa Comissão de Estruturação do Processo Licitatório, foi alvo de um momento muito tenso que demonstrou de forma geral, mediante as unânimes manifestações do plenário, com a presença de cerca de 300 pessoas, divergências que de princípio devem ser dirimidas em favor da qualidade do andamento da proposta.
Afinado com a iniciativa da Prefeitura Municipal de Joinville (PMJ) de impulsionar a discussão sobre o transporte coletivo, tema historicamente controvertido em nossa cidade e desencadeador de grandes injustiças contra usuários, estudantes e lideranças populares, é crucial que esta Comissão leve em consideração as reivindicações populares para garantir a execução de um processo, que efetivamente atenda às necessidades da cidade.
Desta forma, destacamos pontos que precisam ser reavaliados e respondidos pela Comissão de Estruturação, inclusive antes da próxima audiência agendada para o dia 27 de fevereiro, a qual esperamos atenda de pronto as reivindicações aqui enumeradas:
1. A composição da Comissão da PMJ precisa ser revista e admitidos como integrantes representantes de entidades interessadas, estudantes e usuários para que lhe seja conferida total legitimidade. Hoje, a Comissão composta apenas pela PMJ, não tem o condão de lançar um olhar independente sobre a matéria e avilta os princípios democráticos e direito de participação;
2. A contratação da Consultoria Profuzzi, também deve ser reconsiderada na medida em que presta serviços às empresas concessionárias. Isso não reveste o processo de lisura, já que é impossível esperar independência e isenção de que já tem uma relação comercial com a parte oposta, contrariando princípios mínimos exigíveis à prática da moralidade publica. Ainda mais, quando suas manifestações (Jornal A Noticia de 29/01/2012, pág. 22 – anexo) declaram a intenção de concluir pela manutenção do monopólio do transporte coletivo da cidade, em detrimento inclusive do debate que apenas iniciou.
3. Necessário, também, que se a Comissão reveja o número de audiências públicas a serem realizadas, já que se esperava que as mesmas acontecessem também nos bairros, a fim de oportunizar a maior visibilidade e acesso ao debate pelos usuários. É de grande importância que a população possa manifestar-se democraticamente sobre o assunto, pelo que se reivindica a realização de 14 (quatorze) audiências, com sede em cada uma das Secretarias Regionais;
4. A construção de mecanismos que permitam que as pessoas se manifestem sobre a preferência, ou não, de que os serviços públicos sejam geridos pelo poder publico e não pela iniciativa privada, qualificando o debate acerca da implantação da empresa pública de transporte coletivo em Joinville.
A forma de condução desse debate precisa mudar, para ampliar os espaços democráticos e de controle social, senão fica sem sentido todo o esforço empreendido pela PMJ.
Certos do pronto atendimento dessa Comissão de Licitação e acreditando na possibilidade de consolidarmos um modelo de transporte coletivo urbano capaz de regular, planejar e fiscalizar a prestação do serviço público atendendo, de fato, as necessidades da população, é que aguardamos o pronunciamento de Vossas Senhorias.
Subscrevem o presente as entidades a seguir enumeradas.
Cordialmente,
Centro dos Direitos Humanos de Joinville
Núcleo Nise da Silveira
Associação Arco Iris
Movimento Passe Livre
Frente de Luta pelo Transporte Público
Comissão Ecumênica
Conselho Carcerário de Joinville
Pastoral Carcerária de Joinville
Centro Dom Hélder Câmara
Mandato do Vereador Adilson Mariano
Juventude da Esquerda Marxista
PSOL – Partido Socialismo e Liberdade
Esquerda Marxista do Partido do Trabalhadores
Associação de Moradores do Bairro Adhemar Garcia

O melhor de tudo isso

O ano findou com o aumento da tarifa de ônibus. Isso é um problema que certamente acompanhará todo o novo ano a despeito de ser um peso considerável no orçamento de grande parte da população.

A contrariedade com a medida tomada pelo Poder Público Municipal se expressa pelas mãos dos estudantes joinvilenses inconformados, com razão, que se manifestam persistentemente nas praças, chamando a atenção geral.

A juventude está mobilizada em todo o país contra o aumento das tarifas de transporte coletivo urbano, não há ‘planilha de custos’ que convença os jovens brasileiros de que esses reajustes são justos.

Agora, destaca-se no ano que inicia a manifestação pública dos plantonistas do Hospital Municipal São José que denunciam a insustentável superlotação da unidade de atendimento, outro problema! A declarada irresponsabilidade das autoridades de saúde do município e do estado não passa incólumes pelas pessoas que lidam com a saúde pública dia após dia.

Denunciam uma situação de colapso geral, com alto nível de estresse no trabalho por falta de recursos materiais, técnicos e profissionais e a desumanidade que reina no atendimento emergencial em vista da ausência de infraestrutura.  A iniciativa dos servidores que vieram a público declarar sua discordância com tamanha barbaridade deve ser qualificada como um ato de grande sensibilidade e compromisso com as funções que desempenham.

Aqui é necessário fazer um parêntese para infelizes declarações à imprensa feitas por dirigentes dos hospitais públicos da cidade, que debitam a falta de atendimento e de qualidade no atendimento do pronto-socorro à falta de profissionais e à gravidade dos casos e não aos problemas estruturais e de gestão que são amplamente conhecidos pela população e usuários, totalmente na contramão dos fatos. Mas isso é outra história.

O que é muito bom, na verdade, é a indignação e o inconformismo dos estudantes e servidores públicos diante do caos, das arbitrariedades construídas e impostas pelos que são incapazes de melhorar a vida das pessoas, mesmo que esse seja o mister que lhes foi entregue através do voto, essa é a melhor coisa desse final e recomeço de ano.

O melhor de tudo isso mesmo é constatar que diante da adversidade e das medidas  arbitrárias, as pessoas são capazes de reagir, se organizar e ir às ruas para denunciar  aquilo que todos já sabem, exigindo o atendimento de suas reivindicações.

Porém, de fato o que precisa mudar a cada ano que recomeça é a prática das autoridades públicas, uma a uma, tomando para si o exemplo dos estudantes e dos servidores e, ao invés de ignorarem as reclamações e a indignação popular, tomarem medidas concretas para transformar a vida das pessoas em uma vida plena em qualidade e direitos.

Mas isso, como já disse, é uma outra história.

Cynthia Pinto da Luz – Assessora do CDH

cynthiapintodaluz@terra.com.br

 

Boas Festas

Diante de um ano de tantas vicissitudes que atingem, desta vez, a quase todas as pessoas, nós nos perguntamos: o que nos aguarda em 2012?

Acreditamos que seja possível mudar e que este seja o desejo da maioria das pessoas. A opção por uma nova opção social, para que no futuro eventos como os de 2011 sejam apenas lembranças de uma história que não poderá ser esquecida, mas jamais imitada.

Nós, da REDE MNDH, desejamos que todas as pessoas tenham um bom Natal e um 2012 de paz e prosperidade. Que os movimentos sociais encontrem forças para superar seus obstáculos, que líderes populares, defensores e defensoras de direitos humanos renovem seu compromisso por esse novo mundo social transformado.

Que o sonho de uma sociedade igualitária, fraterna e solidária encontre eco em todos os corações.

Que ventos revolucionários tragam 2012!

Movimento Nacional de Direitos Humanos

Colegiado do Centro dos Direitos Humanos Maria da Graça Bráz